18
Nov 12

 

 

"A história económica tem o seu quê de monotonia (...). Tende a repetir-se com previsibilidade enfadonha. Como dizia Aldous Huxley, 'o charme da história e a sua lição enigmática consiste no facto de que, de era em era, nada muda e apesar disso tudo é completamente diferente'."

 

Para não fugir a regra, chegado outro Outubro, o mercado pode ter o prazer de presenciar o lançamento do décimo romance de José Rodrigues dos Santos (JRS): A Mão do Diabo. Foi lançado em Outubro deste ano e, em menos de uma semana, já contava com a segunda edição e mais de 60.000 cópias vendidas. Não deixa de ser curioso, pois o livro não é assim tão barato quanto isso, tendo como preço de editor é de 22€. Mesmo tendo em conta que o tema predominante do livro é a Crise.

 

Pormenores a parte, tendo em conta a conjuntura do país, dizer que um livro custa 22€ é caro mas, na minha opinião, é um livro que vale cada cêntimo do seu preço.

E quem volta a protagonizar uma obra de JRS? O nosso historiador preferido: Tomás de Noronha. Mas desta vez as coisas não podiam estar mais negras.

O livro começa com este em Grécia onde desfolha uns livros de Zoroastro, o primeiro impulsionador de uma religião monoteísta. Mas este em pouco tempo vê-se no meio de uma manifestação na Grécia contra as grandes medidas de austeridade.

 

Volta a Portugal, este é chamado a ter uma reunião com o director da faculdade, onde este lhe deu a inesperada notícia de que este terá que ser despedido. Contas a vida, contactos sem sucesso e sem mais nenhuma solução, este terá que se dirigir e inscrever no Centro de Emprego para receber o merecido Subsídio. É à saída do centro que este encontra um velho amigo, mas este apresentava um aspecto acabado e sujo. Este dizia que se encontrava fugido, pois sabia muito sobre a crise e a sua origem.

 

Tomás ofereceu abrigo, banho e comida em sua casa, mas o que este não sabia é que ao dar abrigo ao amigo, também este entrava na mira de Magus, líder de uma organização Satânica que em nada precisa de que se descubra a origem da crise e os intervenientes causadores da mesma. Para isso, fará de tudo para recuperar o DVD que se encontra na posse de Filipe, o amigo de Tomás ou pelo menos neutralizar os possuidores do mesmo.

 

Já se sabe que o tema do livro é a crise, sua origem e possível futuro desta nossa situação económica no Mundo, Europa e principalmente em Portugal, e posso dizer que não me assustava tanto nem um livro que me fez reflectir desde d'O Sétimo Selo, também do mesmo escritor.

Cheio de curiosidades, factos históricos e outros factos, como o próprio escritor afirma "disfarçado pela 'ficção'" que para além nos fazer abrir os olhos ainda mais de admiração, faz-nos pensar duas vezes sempre que ouvirmos declarações de políticos na televisão, entre outros.

 

Prós:

  1. A mesma magia e fluidez que já estamos habituados
  2. Tomás de Noronha é uma personagem que não cansa
  3. O tema predominante do livro não podia vir "mesmo a calhar"

Contras:

  1.  Algumas descrições históricas são algo maçudas
  2. Há parágrafos de discurso directo de mais de uma página inteira

 

Sinopse )

 


04
Nov 11

 

Jesus Cristo;

A Sua Verdadeira História

 

Este deve ser o meu comentário sobre um livros que esteja disponiveis ao público mais recentemente, e é de bom agrado que a faço. Estou com certeza a falar do nono romance do escritor José Rodrigues dos Santos (JRS) e este foi intitulado por: O Último Segredo.

 

Este livro traz-nos uma nova aventura protagonizada pelo historiador e criptanalista Tomás de Noronha. JRS soube como dar continuidade às suas aventuras que prometem (e cumprem) misturar o que é ciêntificamente provado com a ficção circunstancial.

 

Nesta obra encontramos Tomas de Noronha numa expedição em Itália a fim de recuperar umas escavações quando, já tardíssimo e cansado, foi "convidado" pela polícia italiana para se encontrar com a bela inspectora Valentina Ferro, mas acontece que a inspectora se encontrava no local de um crime... Crime esse em que o português é o principal suspeito.

A vítima foi encontrada morta, degolada, e era conhecida do português, também historiadora e encontrava-se a investigar na biblioteca do vaticano o livro mais antigo no Novo Testamento da Bíblia Sagrada, o chamado Codex Vaticanus. O assassino deixou uma mensagem junto do corpo da vítima, mensagem essa que Tomás Parecia conhecer bem o seu significado o que deu jeito para a investigação, não só da morte da sua conhecida/amiga, como também doutro homicídio bastante longe do local, mas com o mesmo principio. 

 

O assassino tinha apenas uma mensagem a deixar: Quase todo o Novo Testamento é uma farsa e não conta a realidade como ela foi.

Sim, o tema deste livro é a religião católica, mas desta vez, o protagonista do Tema é a própria pessoa de Jesus Cristo. Quem foi? Quem representou? Quais foram os seus feitos? Jesus conheceria mesmo a religião Católica Romana Apostólica? Este livro assume a responsabilidade de responder a todas estas questões e muitas mais, como as inúmeras falhas, farsas e falsificações encontradas no livro das sagradas escrituras.

 

Como nono livros deste escritor português que mais livro vende neste nosso pequeno país, mesmo até aos dias de hoje terem sido lançados assiduamente um por ano, claramente não foram perdendo qualidade com o tempo. Podemos verificar nalguns momentos conversas com quebras ou mudanças radicais de tema sem as claras pontes, tendo ido logo ao ponto objectivo do argumento, mas são ocasionais. Na parte final da obra perguntei-me também: "Como é que é possível ter estado a falar da Bíblia e Jesus e de repente já estar a ler sobre o filme Parque Jurássico?!?", mas uma coisa é certa... Será tudo respondido e promete ser o melhor segredo e salvação de toda a humanidade.

 

Sinopse )

29
Out 11

 

O Anjo Caído do Céu,

Uma Mancha Branca no Chão

 

Lançado no inicio do último trimestre de 2010, O Anjo Branco é o oitavo romance do escritor e jornalista José Rodrigues dos Santos (doravante denominado pela sigla JRS). Em 2008, JRS escreveu A Vida Num Sopro (clique para ler um pouco sobre o mesmo) onde se baseia na história e experiências vividas pelos avós do escritor; em 2009 este decide dar vida uma vez mais ao historiador Tomás de Noronha em Fúria Divina (clique para ler um pouco sobre o mesmo) e neste exemplar que neste espaço vos apresento, acontece uma brilhante sequela d'A Vida Num Sopro  onde o escritor se baseia nas aventuras do seu pai no país africano Moçambique.

 

A personagem principal desta obra é José Branco, que desde cedo se deparou com o paradoxo do que é o bem e o mal, do que é certo e errado, do que se deve ou não fazer e suas interpretações de porquê, pois como qualquer criança fez as suas asneiras, mas o seu bom pai sempre lhe educou e ensinou da melhor doutrina que soubera.

 

Com o seu crescimento, José Branco decidiu seguir a carreira médica e quase sem dar por isso, José Branco foi trabalhar como médico para Moçambique, mesmo debaixo da Guerra Colonial e sem as devidas condições de trabalho. Foi então que este criou o primeiro Serviço Médico Aereo. Depressa foi reconhecido pelas populações mais afastadas como o salvador... O Anjo Branco, pois vestia-se de branco, tal como um médico e o seu avião também seria branco.

 

Quando as coisas pareciam estar a "voar" para um bom caminho de reconhecimento e sucesso, acontece que durante uma missão de salvamento, este depara-se mesmo no meio da guerra, tendo sido portanto prisioneiro de guerra.

 

JRS pretende juntar o leitor a um período negro da história da colonização portuguesa, assim como enterter contando-nos imparcialmente a aventuras do seu pai, traições, missões, feitos. Se não lê-se e soubesse que se trataria da vida do seu pai, nunca iria saber, pois está de tal modo imparcial e profissional, o que nos dá ainda mais valor à obra que, para além de apaixonar o leitor, representa ao mesmo vários ensinamentos e aspectos culturais desta época ainda historicamente recente.

 

Já está disponível o livro do mesmo escritor: O Último Segredo e já o estou a ler. Assim que possível comentarei sobre o mesmo neste mesmo Blog.

 

 

Sinopse )

22
Ago 11

 

Toda a vingança tem o seu preço,

Tal como o modo como a vemos.

 

Sétimo romance do escrito José Rodrigues dos Santos, lançado à dois anos atrás (2009) pela Gradiva.

Eu quando li esta obra, pouco ou nada sabia sobre a cultura e religião muçulmana. Depois de ler este livro, entre outros, mudei um pouco a minha maneira de pensar sobre os mesmos.

 

Os principais protagonistas desta obra são: o mesmo de O Codex 632, A Fórmula de Deus e O Sétimo Selo, ou seja, estamos a falar do criptologista Tomás de Noronha; e o Ahmed, uma criança egípcia.

A estrutura do romance está dividida em duas partes intercaladas:

  1. Numa lemos sobre os acontecimentos à volta de Tomás de Noronha. Parece que a CIA recebeu mais um código que não consegue decifrar e a prioridade para decifrar é máxima, pois parece que vem da Al-Qaeda e ameaça ter a ver com mais um ataque terrorista. Tomás fará tudo para decifrar a tempo com a ajuda de uma bela agente da CIA.
  2. Noutra vemos a vida de Ahmed. Como disse, é uma criança egípcia, mas saberemos todo o percurso de uma vida, neste caso, da vida deste jovem. Desde cedo que esta criança vê a sua vida a ser baseada nos costumes do Islão com base do Alcorão e com a ajuda de Mullah Saad, este vê os costumes mais pacíficos. Mas com o crescimento, Ahmed conhece um novo professor, este já mais radical e extremista e dá a conhecer a outra interpretação mais radical e "à letra" do livro sagrado escrito pelo profeta Maomé sob o mandato do Deus Allah. Cabe agora ao jovem decidir qual o caminho que o seu coração lhe indica.

É por isso que eu digo que aprendi muito com este livro, tal como tenho aprendido sempre bastante com os romances do jornalista José R. dos Santos. De forma resumida e intuitiva, estão abordados os aspectos mais carismáticos desta religião e cultura, onde são também visíveis várias comparações com a vivida cá em Portugal.


28
Jun 11

 

O ciclo de uma vida;

 

A vida num sopro

 

A Vida Num Sopro viu o seu lugar nas prateleiras em meados do ano de 2008 e é o sexto romance do jornalista José Rodrigues dos Santos.

 

Luís, um jovem estudante apaixona-se profundamente por uma linda menina, a Amélia. Apesar de muito jovem, era uma amor predestinado a ser para sempre, não ser o facto de a mãe de Amélia não ter aprovado o romance dos dois, pois achou que o Luís vinha de uma família pobre e que a sua filha merecia um homem melhor.

De um dia para o outro, sem um sinal ou despedida, Amélia desaparece e deixa o seu amado completamente desorientado, sem rumo.

 

Este romance enquadra-se no período dos anos 30, onde a inquisição, mais em concreto a PVDE começam a apertar o cerco e a liberdade começa a ser julgada como uma insegurança para o Estado. Luís era uma pessoa liberal, confiante, amiga do amigo e isso não é bem visto aos grandes e espalhados olhos da inquisição.

 

Este romance está também recheado de personagens, todas elas diferentes, todas elas portuguesas. Facilmente identificaremos muitas personagens, cada uma com a sua história, cada uma com o seu objectivo e vivência.

 

É fácil sentirmos a experiência relatada no romance. Ouvimos constantemente as histórias dos nossos avós, que fazem questão sempre de contar as experiências mais duras das suas vidas, mas também as que mais lhes marcaram. O medo que sentiam em falar em público antes do 25 de Abril, as dificuldades financeiras que sentiram (que, penso, que serão aquelas que sentiremos em breve).

 

É um romance leve, o que é sempre bem-vindo e de muito bom gosto. São quase 600 páginas que serão devoradas num curto espaço de tempo, pois é uma história muito sedutora e cativante e tem o seu tom de real. Luís e Amélia, protagonistas deste romance, são os avós de José Rodrigues dos Santos.

Considero o final deste livro um dos melhores e mais chocantes da literatura portuguesa.


18
Jun 11

 

 

 

O que acontece quando acabamos por descobrir

 

que fomos nós que estragamos tudo? 

 

Em 2007, José Rodirgues dos Santos publica o seu quinto romance, o terceiro protagonizado pelo criptologista e historiador Tomás de Noronha.

 

Esta aventura vê o seu ínicio no centro de dois homicidios da mesma natureza, de dois cientistas que trabalham no mesmo projecto. Ambos os defuntos encontram-se aompanhados de uma mensagem com apenas três digitos: "666", mais conhecido como o número do demónio.

O professor Tomás de Noronha é, novamente, solicitado pela Interpol para ajudar a decifrar o que estes dois corpos têm em comum, a fim de encontrar o homicida.

 

Nesta aventura toda que decorre durante a investigação, Tomás vê-se envolvido no meio do negócio que envolve as pessoas mais poderosas do mundo: as pessoas que controlam o petróleo. O nosso historiador português descobre também o cenário mais devastador de sempre: As reservas de petróleo estão a terminar e não falta mais de uma década para esse cenário descobrir a sua realidade.

 

Como se não bastasse a mãe de Tomás, já viuva, encontra-se doente, pois sofre da doença de Alzheimer. Um problema que este terá que enfrentar, ao mesmo tempo que decifra e junta todos os pontos, que não lhe deixam de certo modo optimista.


08
Jun 11

 

 

Numa sociedade ansiosa pela verdade,

Descobrirá o segredo sobre a existencia de Deus? 

 

A Fórmula de Deus. Quarto romance escrito pelo jornalista José Rodrigues dos Santos. O segundo onde o protagonista desta aventura é o criptologista Tomás de Noronha.

 

Neste livro, o nosso criptologista tem como objectivo decifrar um manuscrito de Einstein, só agora descoberto, onde Einstein descobre o inicio da descoberta da fórmula de Deus. Não foi, no entanto, descoberto pois a tecnologia não permitia a Einstein publicar com todas a certeza. Einstein viu-se obrigado então a passar o testemunho até haver provas consistentes e dogmáticas para sua publicação.

 

Mais uma vez, o leitor viaja pelo mundo, conhecendo lugares como o Irão, Teerão, onde Tomás viverá grande parte das suas (des)aventuras. É nesta matéria que, mais uma vez, José R. dos Santos se destaca dos demais, pois viaja o leitor para locais onde nunca foi, fazendo-o sentir que conhece o local muito bem, chegando ao ponto até de sentir as dificuldades geográficas e climatéricas.

 

Leremos neste exemplar muita matéria de física avançada, como, por exemplo, a famosa Teoria da Relatividade, o Principio Antrópico ou o Teorema da Incompletude. Parece confuso? Um livro com temas que ninguém ou pouca gente percebe? Pois estão, como eu estava, errados. Acabam de ler o livro e têm as noções básicas de todas estas teorias e teoremas, sem grandes complicações no enredo ou narrativa e dando ainda mais vontade ao leitor de continuar a ler esta obra.

 

A Fórmula de Deus foi editado pela gradiva e publicado em 2006. Passados 5 anos ainda é um livro imprescindível de um bom destaque em qualquer livraria ou retalhista.


17
Mai 11

 

Aquilo que aprendemos

nem sempre corresponde à verdade!

 

O Codex 632 foi escrito pelo José Rodrigues dos Santos e publicado pela gradivaem 2005. Este é o primeiro romance que dá a vida ao criptologista Tomás de Noronha.

 

Este livro aborda temas como os nossos descobrimentos e nos leva numa viagem à descoberta da nacionalidade de Cristóvão Colombo.

Num mundo de palavras sempre perfeitamente escritas e violentamente viciantes, somos mergulhados num mundo, que é o nosso, mas que pouco dele conhecemos.

 

Num misto de acção, história, traição, drama, percas e ganhos, Tomás de Noronhaé aquela personagem que facilmente se identificarão com ela. Marido de uma bela esposa e pai de uma menina portadora da doença trissomia 21, a cada página que viajamos, somos engolidos por engenhos magistralmente criados por este escritor que tanto estima os seus leitores e a sua nacionalidade.


14
Abr 11
 

 

 

Quando uma guerra e paixão se misturam,

poderá o final ser o mais feliz?

 

Lançado em 2004, A Filha do Capitão, romance magistralmente escrito pelo jornalista e escritor José Rodrigues dos Santos, tem como cenário a primeira grande guerra mundial.

 

Este livro dá vida ao Afonso Brandão, que estudou no seminário, mas por rebeldia e "falta de fé", não conclui o curso para futuramente ser padre com sucesso. Ingressou na Escola do Exército que lhe deu portas para no futuro ser o Capitão Afonso Brandão.

Paralelamente, a muitos quilómetros de Portugal, vive a bela e sensual francesa Agnés Chevallier. Filha de um enólogo que decidiu estudar medicina, viu a sua vida completamente alterada pelo destino chamado Primeira Guerra Mundial.

 

Capitão Afonso Brandão foi destacado para comandar uma companhia que fez missão nas trincheiras de Flandres. Foi quando chegou a França que conheceu o que se iria tornar o seu verdadeiro amor, a Agnés.

 

O livro é, por si, belo. Aborda vários termas desde "ciência vs. religião católica". Posso adiantar-me num pormenor que aprendi deste livro, que foi o de a religião católica ter proibido a prática de autópsias desde o século III até ao séc. XIV. Estamos a falar de mais de mil anos de ciência parada. Inúmeras curiosidades históricas como estas que referi se encontram e recheiam toda esta aventura que podemos ler n'A Filha do Capitão.

 

De fácil leitura e acessível a todos, aborda com mestria o insucesso que as forças militares portuguesas tiveram durante esta guerra. Perguntar-se-ão inúmeras vezes se o que o livro nos ensina é mesmo verdade, e tenho toda a confiança para dizer que sim, é mesmo verdade.


30
Mar 11

 

Há coisas que nos custam contar, muito.

Como se não bastasse a ausência da coragem,

será que a quem vamos contar está preparado para ouvir?

 

Quando lemos este livro, é óbvio que deveríamos ler porque foi um autor que o escreveu, mas todos nós conhecemos José Rodrigues dos Santos, pelo menos, como pivot de telejornal e entrevistador. Sendo ele a figura que é, é inevitável o pensamento. O que é ser pivot de telejornal? Para pessoas como eu que nada ou menos sabem sobre a matéria, um pivot tem apenas que saber ler o ponto e dizer o que está escrito. Tão simples quanto isso.

No entanto, se pensarmos melhor, um jornalista não trabalha só uma hora por dia (tempo médio de um telejornal) e, visto bem as coisas, tem de ter um poder enorme de prospecção e de saber pesquisar, para também saber do que está a falar. Mas isto digo eu que de jornalismo nada percebo. Limito-me a ser a pessoa que não perde um telejornal das 20h, sem fazer a mínima do que se passa por detrás dos escritórios e câmaras.

 

Ao ler A Ilha das Trevas, descobrimos a história duma pequena ilha que toda a gente sabe que existe e... poucos sabem a sua história negra e dura. O protagonista é Paulino de Conceição que assistiu a todo um confronto que teve o verdadeiro início em 1975 e dando por terminado em 1999 com a independência do país Timor-Leste. Paulino desde então carrega um fardo que precisa de ser partilhado, mas haverá a coragem para isso? Ele ambiciona voltar a ter noites descansadas e sem pesadelos. Precisa de desabafar.

 

Este livro prova uma coisa, e daí a minha introdução. Ao ler os livros escritos por José Rodrigues dos Santos e com alguma pesquisa que fiz, pude conhecer melhor o trabalho de um jornalista, e não, não é só saber ler o ponto ou uma folha com perguntas pré-definidas. Mas com a carteira de obras da autoria de José R. dos Santos, este prova-nos que se destaca pelos demais, no sentido que consegue nos seu trabalhos:

  • Misturar ficção e acontecimentos históricos;
  • Transportar o leitor directamente para a acção, quase como se sentíssemos o que estamos a ler;
  • Prender o leitor desde a primeira página até à última a uma velocidade vertiginosa;
  • Linguagem ligeira, mas bastante diversificada, ou seja, não haverá quebras de leitura por não percebermos alguma palavra e também não estamos sempre a ler os mesmos adjectivos, etc.

A Ilha das Trevas é o inicio de um ciclo que trouxe dois pontos que considero essenciais: o aumento a nível cultural dos portugueses, pois para além de ter gostado bastante do livro, adorei conhecer a história pormenorizadamente e bastante recente de uma ilha que já foi portuguesa (e eu adormecia nas aulas de História ou a estudar para as mesma disciplina, por isso é de louvar o poder de cativar o leitor); e o de trazer de volta e cada vez mais o gosto de leitura dos portugueses, onde a Gradiva se orgulha de divulgar os novos números e impressionantes sempre em cada edição que façam de cada livro e não duvido nada que muitas pessoas voltaram, ou começaram, a ter o hábito da leitura por força das obras deste orgulhoso português.

 

"Não é possível..." - É com este pensamento e com um olhar para o céu na esperança de que não nos caiam a lágrima que terminamos este violento e verdadeiro livro.


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