11
Fev 13

 

“É preciso saber quando está terminado; poisa então o lápis ou o pincel. Tudo o mais é apenas vida”

 

Não consigo disfarçar o quanto gosto de Stephen King e todo o seu trabalho até à data.
Este é um dos seus livros mais recentes. Duma Key foi lançado nos Estados Unidos em meados de 2008 - um ano depois já se encontrava a venda nas prateleiras das nossas lojas - e após os 34 anos de carreira (na altura do lançamento do livro) este não nos consegue deixar de surpreender.


Contador de estórias nato, este desta vez faz com que Edgar Freemantle se apresente (sim, quero com isto dizer que desta vez Duma Key é-nos contada na primeira pessoa).
Até aqui este nos persegue com a sua imprevisibilidade; estaremos a ler uma estória contada por um aleijado. Pessoa já de meia idade que por força de um acidente ficou aleijada e com algumas deficiências motoras. O acidente deste empreiteiro trouxe sérias mudanças na sua vida. Divórcio, uma terapia fez com que este se muda-se para longe da sua terra e família onde conheceu seu grande e para sempre amigo Wireman. Wireman também tem a sua estória que o levou àquele local que será a nossa casa enquanto tivermos com o livro aberto.

O Senhor Edgar instala-se numa casa alugada a uma senhora velhota e “filha” de Duma Key e onde se dedica a uma antiga paixão que se revela agora ser sua única: a de pintar.


É aqui que a paixão pode se revelar ser uma das coisas mais perturbadoras e assustadoras, coisas que influenciarão, apesar de viverem bem longe, a vida da sua ex-mulher, antigos melhores amigos e das suas duas filhas.


É díficil sermos imparciais quando fazemos algo que gostamos e dedicado a algo que nos fez gostar do que gostamos. Stephen King e a sua obra foi aquela que me fez procurar ler cada vez mais livros em busca de estória e por vezes história que nos surpreenda não só por si, mas do modo que nos é
apresentada ou contada. Verdade seja também dita... Depois de ler um livro “As Cinquenta Sombras”, facilmente somos surpreendidos com qualquer coisa.


Não confundir. Este livro não é qualquer coisa. Pode até ser bastante complexo. Se por algum motivo lerem uma ou duas páginas “na diagonal”, perderão o fio à meada e se o querem compreender na integra terão que voltar atrás. 

 

Achei muito bom o formato deste livro. Dividido em duas principais partes onde numa é-nos contado todo o enredo e argumento sequencialmente e intercaladamente temos os capítulos “Como fazer um quadro” onde o leitor é posto na visão de um artista (neste caso pintor) embriagado naquilo que está a fazer. Vocês sentirão mesmo todo o cenário que isso implica.


Não verão um festival de sangue como em Carrie, nem uma mente perturbada e obcecada visto em Misery, nem um quadro ansioso por vingança como em Emily Rose; mas assistirão àquilo que os críticos chamam de thriller psicológico pesado e complexo, num ambiente fresco e claro.

 

Prós:

  1. Divisão dos capítulos
  2. Personagens
  3. Estória

Contras:

  1. É fácil perder a ordem de ideias que é proposto
  2. Nalgumas expressões a tradução é duvidosa, mas eu não conheço os textos originais

 

 

Sinopse )

 

Publicado Por ChadGrey às 02:05

25
Mar 12

 

Nada é Aquilo Que Parece Ser

 

Aumento assim com este livro a minha colecção de livros traduzidos deste calmo escritor Stephen King. As três pessoas que de vez em quando lêm o meu blog sabem que eu tenho um carinho especial pela escrita deste artista, e não podia faltar um exemplar destes, recheados de contos.

 

Night Shift foi lançado pela primeira vez em meados de 1976, uma colectânea de 20 curtos contos, onde o facto de cada conto ser curto só rema a favor; e que foi re-lançado numa edição a cargo da Bertrand Editora em 2009. (Ainda esperamos por uma edição do Shining!!)

 

Podemos encontrar neste exemplar dos mais variados contos, onde alguns se interligam de certo modo entre si, ou com outras obras, como A Hora do Vampiro do mesmo escritor (livro já lido, quando possivel farei o comentário). Como referi, este livro é uma colectânea de 20 contos, cada um tendo uma média de vinte páginas. Normalmente explicaria um pouco de cada um deles, mas quando são no máximo quatro. São 20, por isso digo-vos apenas quais são: Jerusalem's LotTurno da NoiteSurf NocturnoEu Sou A Porta da EntradaA MutiladoraO PapãoMatéria CinzentaCampo de BatalhaCamiõesÀs Vezes Eles VoltamPrimavera de MorangosO FrisoO Homem da Cortadora de RelvaQuitters, Inc.; Eu Sei Do Que Você Precisa; Filhos do Milho; O Último Degrau da Escada; O Homem Que Amava As Flores; Um Para O Caminho e A Mulher No Quarto. Todos estes contos representam estórias e personagens diferentes. Uns são mais reais, outros mais contemporâneos, outros mais fantasiosos e ficção cientifica também.

 

É um daqueles livros ideias para quem se cansa em ler durante muitas páginas seguidas o mesmo livro. Para quem não gosta também de ler o mesmo escritor durante muito tempo também não vê uma desculpa para ler este livro, pois se não tivesse a assinatura, dificilmente diríamos que foi a mesma pessoa que escreveu estas 20 fábulas. Ideal mesmo para se ler um conto por dia e antes de adormecer.

 

Prós:

  1. Ideal para se ler um capitulo/conto por dia
  2. Todos os contos têm temáticas diferentes
  3. Introdução escrita por John D. MacDonald e Prólogo muito interessantes

Contras:

  1. Alguns contos podem também ser desinteressantes
  2. Outros podem parecer inacabados
Sinopse )

 

Publicado Por ChadGrey às 17:07

21
Jan 12

 

Mais 4 grandes contos, 3 deles adaptados ao cinema

 

Different Seasons é um conjunto de 4 contos, todos eles escritos em momentos e datas muito diferentes, mas em meados de 1982 decidiu juntar estes quatros contos num só volume, dando-lhe o nome de Diferentes Estações, não só dando a ideia de que seria um conto por estação do ano, como também quis dar a ideia de que Stephen King sabe remar para além do oceano do terror. Vou-vos falar um pouco de cada um dos contos:

 

A ESPERANÇA É ETERNA

Os Condenados de Shawshank

"E, se tentasse contar-vos exactamente como as coisas se passavam, estaria a inventar" - Red 

Este conto quase que dispensa de apresentações. Uma obra que foi adoptada ao cinema, considerada por muitos um dos melhores filmes baseados num conto literário, por outros, o melhor filme de todos os tempos. Para mim é um dos melhores, mas o conto que deu origem está muito algo superior.

Contado na primeira pessoa pelo "Red" (Ellis Boyd Redding), um prisioneiro de Shawshank que viu a pessoa mais peculiar a passar a fazer parte da família de prisioneiros: Andy Dufresne. É um conto super interessante. Como disse, o narrador é o Red e este "escreveu" o livro tal como uma pessoa de idade conta uma história, ou seja, à medida que vai contando, vai se lembrando de pormenores que deveria contar antes. Resultado: Algo magistral! Embrulhará o leitor num misto de sensações onde a velha máxima "A esperança é a última a morrer" se retrata neste livro ainda da melhor maneira. Emocionante e alucinante, este conto será lido seguido e cada parágrafo deste capítulo será como um murro seguido de um abraço. 

 

A MORTE ESPREITA

Aluno Dotado

 "A professora deu-me um 'Excelente' porque eu li a bibliografia sem vomitar" - Todd

Este conto é um pouco mais forte que o anterior. Representa nada mais, nada menos aquilo que a crueldade infantil/juvenil é capaz de transmitir, mesmo não o sabendo. Estamos a falar de um jovem aluno inteligente, o Todd Bowden, que descobre um idoso que lhe pareceu ter sido um antigo Nazi, responsável por inúmeras mortes nos campos de concentração na segunda guerra mundial. Este velho, Kurt Dussander, que até então fez de tudo para se manter no anonimato, foi descoberto por este curioso rapaz que o submete a inúmeras chantagens para ouvir todas as histórias que o velho tem na memória. Histórias horríveis e demoníacas que trarão graves consequências não só para quem se relembra para as contar, como para quem as ouve.

 

A PERDA DA INOCÊNCIA

O Corpo

 "Quer dizer que é o fim. Quando não sabemos o que acontece a seguir, é o fim." - Gorddie

O capítulo mais complexo e humano deste capítulo. Neste conto acompanhamos quatro rapazes numa aventura entre amigos. Como qualquer uma que possamos ter tido nos tempos em que "dormíamos" em casa dos nossos amigos. Estes quatro amigos são todos diferentes uns dos outros. Muito por culpa da relação familiar e amigos, todos têm noções diferentes do que é divertido, do que é bom, do que é o melhor. Uma viagem que mudará para sempre a vida deles, pondo um fim na infância deles e trazendo o sentido de responsabilidade. E, "Quando não sabemos o que acontece a seguir, é o fim.". 

 

UM CONTO

A Técnica de Respiração

 "Se morrermos sozinhos, somos heróis. Se levamos alguém connosco, não passamos de mijo de cão" - Steve

Após lermos três contos geniais, mas que fogem um pouco ao formato que identifica este "Mestre do Terror", este decidiu incluir um texto mais pesado para o fazer sentir "jogar em casa". Aqui lemos a estória contada por um médico que acompanhou uma estranha mulher que se encontrava grávida, mas que as suas opções eram estranhas e não as melhores para si e para a criança. Este médico partilha a sua estória num estranho e bem caracterizado clube, onde o ouvem com atenção e comentam as suas opiniões, cheias de preconceitos e também xenofobismo. Um retrato da sociedade, com um final trágico/maravilhoso, e que pode impressionar bastante. Neste livro de quatro contos, este foi o único que não foi adaptado ao cinema.

 

Muito resumidamente, estes foram os quatro contos que fazem acompanhar este volume. São quatro estórias distintas, mas com alguns elementos que se interligam entre si. Lêm-se bastante bem seguidas, pois apesar de sabermos que todas têm a assinatura de Stephen King, estão tão profissionalmente e apaixonadamente bem escritas que, se não soubéssemos, diríamos que cada uma deles tem uma assinatura diferente.

Contem com uma breve explicação feita pelo próprio King, nos conta no Posfácio deste volume o que o levou a escrever este livro. Um pequeno receio por parte do seu editor que este viesse a ser catalogado como "Contador de Estórias de Terror", pediu a este se quisesse para escrever um livro com outros contos de outros géneros diferentes. Acontece que esses mesmos contos já se encontravam escritos, Foi só "limpar-lhes o pó" e publicá-los. Resultado: Algo que todos quererão,

Um volume genial, que adopta o novo acordo ortográfico (ao contrário de mim e do corrector ortográfico do Blogs do Sapo) que todos quererão ler, muito por força do primeiro conto que deu vida ao Andy Dufresne, interpretado por Tim Robbins e ao Red, este interpretado pelo Morgan Freeman; mas também pelas outras obras que não lhe ficam atrás, apesar do carinho especial que tenhamos pela família residente em Os Condenados de Shawshank.

Não é segredo nenhum que tenho um fascínio especial por este escritor, mesmo ainda não tendo lido todas as obras traduzidas deste, mas sinto-me obrigado a impingir este livro. Tu queres ler este livro e rever os filmes que deram vida a estes contos.

 

 

Sinopse )

 


19
Nov 11

 

Não é à toa que Cell rima com Hell.

[Cell = Telemóvel e Hell = Inferno]

 

Confesso já ter saudades de comentar no meu Blog um livro da autoria de um dos meus escritores (senão mesmo o escritor) preferido: o mestre do terror Stephen King.

Desta vez calha um livro chamado Cell e foi lançado nos Estados Unidos da América em 2006. Nós por cá o recebemos com o título traduzido para Cell: A Chamda da Morte no mesmo ano e a tradutora foi Maria Luísa Santos. Porque é que acrescentaram o subtítulo e decidiram não traduzir o título, não sei mas seria a primeira coisa que perguntaria à tradutora ou à editora.

 

Este livro é um romance de terror apocalíptico, algo que fazia falta no currículo deste escritor, grande amigo também do mestre da sétima arte George Romero. Neste livro a personagem principal que viveremos e sentiremos durante toda a obra bastante objectiva é Clayton Riddel (Clay), um artista que tinha finalmente visto a sua vida a ganhar rumo, com a assinatura de um contrato para este poder lançar uma banda desenhada. De repente olhou à volta e viu as pessoas a ficarem estranhas, agressivas, assassinas e sem raciocínio. As pessoas atacam-se umas às outras aleatoriamente e violentamente. 

No meio do caos e da desordem, Clay encontra Tom McCourt e uma jovem Alice Maxwell e juntos vão para casa de Tom nos arredores da cidade de Boston.

 

Mesmo cansados e após pensarem em vários planos de sobrevivência e de como evitar o caos em que o mundo se tornou, descobrem que a causa de toda a desordem foi apenas o aparelho que mais unidades tem espalhadas no mundo: o telemóvel. Coincidentemente, todas as pessoas que tinham o telemóvel ao ouvido enlouqueceram e perderam completamente a sua mente. Tornaram-se zombies, com a diferença que não são pessoas mortas, apenas descontroladas e desprovidas de consciência. Tudo começou quando sucedeu aquilo a que chamam "O Pulso", uma explosão electromagnética que afectou todos os sistemas de comunicação móvel.

 

Clay tem motivos para não ficar quieto sem lutar pela sua sobrevivência e de outros, nomeadamente a sua família: a esposa e o seu filho. Partem então para Norte, em busca de segurança tentando prever o caminho que a sua família seguiria para se sentir segura. Com a longa caminhada este trio que lentamente e sempre num suspense de cortar a respiração estes descobrem que as pessoas afectadas não só agem em grupo, como também de algum modo são controladas por uma entidade maior que elas.

 

Este foi um livro que li em poucas horas, quase sem parar pois está mesmo brilhante. Stephen King consegue mais uma vez prender e fazer com que o leitor se apaixone pelas personagens que o faz viver. Acontece que neste livro há uma nova fórmula. O leitor ficará também encantado com objectos que subliminarmente estão cheios de significado e mensagem. Durante a jornada, Alice encontra um pequeno ténis da Nike, tamanho bebé, e fará qualquer leitor pensar em coisas bastante claras relacionadas com o objecto apesar do escritor fazer questão de as omitir a todas; dando largas a imaginação dos leitores. Imaginem que, de um momento para o outro, teria que viver do mesmo modo que os vossos pais viviam com a vossa idade, ou seja, sem telemóvel... Foi nessa base que Stephen King recorreu para escrever esta obra. Eu digo que este livro é mais que recomendável; é obrigatório para ler e reler.

 

Prós:

  1. Bastante suspense... Leremos várias páginas em apneia.
  2. Estória que ao principio parece ser mais uma de "zombies" mas que depressa se revela muito mais que isso
  3. Interactividade mental com personagens e escolhas das mesmas
  4. Personagens carismáticas e memoráveis
  5. Luta pela sobrevivência e escolhas em situações dramáticas e rápidas
  6. Um final lindo/horrível sempre no sentido brilhante e extra sensorial
Contras:
  1. Livro curto (352 páginas, Circulo Leitores Capa Dura).
  2. Podia haver espaço para ainda mais peripécias, ou mais uma personagem para se juntar ao grupo.
Sinopse )
Publicado Por ChadGrey às 13:54

15
Set 11

 

Há Boas Razões para 

Se Ter Medo do Escuro

 

The Dark Half, lançado pela primeira vez em 1989 e é um livro que faz jus ao título que o escritor Stephen King tanto merece, pois é um livro, assumindo as palavras da Publishers Weekly, "Terrivelmente assustador".

E como conseguiu voltar Stephen King voltar a brilhar tanto nesta matéria?

 

Simples... Misturar dois simples mundos que Stephen conhece tão bem! Um escritor, e seu pseudónimo!

Cansado de escrever sob o pseudónimo, Thad Beaumont decide "matar" o seu pseudónimo George Stark, fazendo uma cerimónia funebre incluida, para posteriormente ser publicada numa revista. Mas nem toda a gente gostou desta ideia. Aliás, se calhar apenas a sua mulher iElizabeth gostou, pois não gostava de ver o seu marido, que por si tinha um gosto demasiado por bebidas alcólicas, escrevia sob o seu outro nome. Os livros de Thad não eram muito famosos, nem sequer famosos eram, mas os de George Stark eram os melhores Best Sellers que lhe valeram inumeros prémios.

 

Tudo parecia fazer sentido e depois de "matar" o criador de obras sobre um famoso assassino chamado Alexis Machinei a tal personagem que rendeu o conforto com que vive agora, mas nem tudo foram rosas, pois ao "matar" o seu pseudónimo, apareceu um ser muito mais maligno e poderoso. Uma sombra, uma metade que o próprio Thad desejaria ser, mas não o quer ser e alguém ou algo está a assumir essa forma para fazer a vida negra ao nosso escritor.

 

Podem contar com um livro espectacular em todos os sentidos, do principio ao fim, mas com pequenas quebras de tensão no enredo. Fora pequenas quebras, encontrarão um livro que George A. Romero fez questão de pegar e adaptá-lo ao cinema, em 1993. 

 

Sínopse )

 


18
Ago 11

 

O despertar do coma;

O despertar do futuro.

 

The Dead Zone é um romance escrito por um dos meus escritores preferidos: Stephen King, em 1979. Foi adaptado para o cinema em 1983 e à televisão numa série que contou com 6 temporadas, completando 80 episódios (2002/2007).

 

Por vezes, antes de publicar qualquer opinião, pesquiso primeiro pela Internet sobre o livro, para saber a opinião de outras pessoas sobre o mesmo, para perceber se eu concordo ou não com a opinião geral. Fiz isso para publicar este post porque já li este livro à uns anos e dos comentário que encontrei, aquele com que mais me identifiquei foi com a do Jorge Candeias, exactamente por ele ter reparado o mesmo que eu, pois no orelhão do livro podemos ler o seguinte:

 

"Uma obra que contém, no seu seio, o espírito da alta tragédia grega, penetrando no reino das mais intensas emoções macabras que também podem inserir-se na vida quotidiana.

É a história de um garoto que sofre um acidente, ao patinar no gelo. Vivo penetra num outro mundo: o da Zona Morta que lhe infere estranhos poderes: os de desvendar o futuro e, portanto, antever o terrível destino de alguns dos seus semelhantes."

 

Não. Não é nada disto. Isto é o que eu chamo de ser um comentário feito por um analfabeto que acabou de ler o livro. É que até a maneira como apresenta o acidente parece falsa.

 

John Smith é a personagem principal deste livro. Norte americano, jovem normal e com uma família normal, após ter estado com sua namorada Sarah, este sofre um acidente de viação grave, que o pôs em coma durante quatro anos. Stephen King mostrou mais sabor da sua genialidade ao descrever o acordar do coma John Smith onde não poupa nas dezenas de páginas e pormenores que nos fazem sentir como se as estivéssemos a viver e a sentir tudo o que os nossos olhos lêem.

 

John não podia estar mais confuso. Tudo indica estar bem com ele, excepto que teve quatro anos a dormir, ou seja, muita coisa aconteceu na sua "ausência" que ele fará o possível para recuperar. Mas não se fica por aqui. Outras coisas muito estranhas acontecem com ele. Por vezes, ao tocar noutro ser humano, ele consegue ver algumas imagens relacionadas com o seu futuro, situação que foi diagnosticada como ter a habilidade de entrar na Zona Morta do cérebro, apesar de involuntário. Um fardo que terá que viver com ele, se conseguir.

 

Um livro genial, que nos conta um modo de viver espectacular e fantástico; um relacionamento pesado, confuso e incongruente entre John e Sarah; uma luta patriótica pela pátria; um toque de fantasia e suspanse.  Tudo o que seria muito bom material para vários livros, num só.


18
Jul 11

 

Uma luta contra a vontade (des)humana

Onde o "(des)" acaba por vencer...

 

Em 1983 foi escrito este livro: Pet Sematary, por Stephen King, cujo título traduzido para português ficou Samitério das Mascotes, com uma gralha propositada, tal como no título original.

 

Tudo indica que Louis Creed e a sua esposa Rachel, juntamente com os dois filhos, Ellie e Gage (e o gato de Ellie, o Church) mudaram-se para uma enorme casa perto da cidade Ludlow. Mas o inicio da estadia na nova residência não parece correr muito bem, pois acontecem quase ao mesmo tempo uma série de acidentes que poderiam ter um final mais infeliz. Um vizinho, Judson Crandall, já mais velho mas onde a sabedoria sobre o local abunda, aparece em ausilio da família Creed. Este adverte sobre a auto-estrada mesmo em frente à nova casa.

 

A amizade entre Louis e Judson foi-se fermentando e passados algumas semanas e velho vizinho levou a família a um passeio, onde levou a conhecer um cemitério, onde as crianças costumam enterrar os seus bichos de estimação. À porta do cemitério existe uma placa com a palavra "Samitério". 

 

Neste livro, o tema sobre a morte é bastante abordado, onde todas as questões, pontos de vistas, perspectivas, opiniões mais maduras e imaturas, contadas por adultos e crianças não escapam em relação ao tema.

 

Acontece que atrás do "Samitério" há um antiquíssimo cemitério índio onde a magia abunda. Segundo consta, qualquer ser outrora vivo que seja enterrado neste cemitério, aparecerá vivo, mas não será o mesmo de antigamente. Louis decidiu arriscar quando o gato da sua filha morreu atropelado. Acontece que resultou. Passados algumas noites, o gato apareceu e parecia vivo... Diferente, mas vivo...

 

Depressa surgirá a questão se resultaria também para as pessoas... Ainda mais depressa surgirá a resposta...

 

NOTA: A capa apresentada neste post não corresponde à capa da edição que li. Li a edição portuguesa, distribuida pelo Círculo de Leitores, Capa Dura.


08
Jul 11

 

Mais dois contos,

Mais duas noites mal dormidas.

 

Meia-Noite e Quatro é a segunda parte do conjunto de quatro contos iniciado com Meia-Noite e Dois(Pode clicar para ler sobre o mesmo). Como tinha anteriormente dito, esta colectânea foi lançada toda junta num livro com quatro contos chamado Meia-Noite e Quatro ou Four Past Midnight

 

Tal como no livro anterior, Stephen King explica em poucas palavras o que o motivou a escrever cada conto, fazendo comparações com outras obras suas ou não e qual o "objectivo" da história. Os dois contos pertencentes a este livro são: A Polícia da Biblioteca e Um Bruto Muito Feio (mais um excelente exemplo das belas traduções que aparecem nos nossos títulos, já vão perceber porquê...). Vou agora falar um pouco de cada um deles, para vos fazer crescer água na boca:

 

A Polícia da Biblioteca (The Library Policeman é o título original): Este é o terceiro conto deste conjunto de contos, o primeiro deste livro. Stephen King explica que o que o motivou a escrever este conto foi o facto de o filho não ir à biblioteca, pois tinha medo de uma entidade a qual denominou por "Polícia da Biblioteca", sendo que tal entidade não existia.

Pois bem, neste conto, Sam Peebles era um agente imobiliário e vendia seguros. Por motivos imprevistos, mas explicados, Sam foi nomeado para discursar no Rotary Club, um pequeno clube recreativo local, mas de muita importância para os habitantes. Este como não tem formação nem o talento natural para discursar para um publico, pediu ajuda a sua assistente Naomi, ou Sarah (depende da ocasião) para o ajudar e esta recomenda-o a levantar na biblioteca dois livros que o vão ajudar. A biblioteca não era de todo normal e ele foi bem avisado de que o atraso na entrega dos livros seria imperdoável. Acontece que, realmente, Sam perdeu os livros que levantou.

Este conto é muito humano, melódico, vivo e assustador. Desafia as pessoas a alterar o comportamento que sentem em relação aos seus medos. Dei por mim, durante várias partes do conto, a suster a respiração e a devorar as páginas como se tivesse que ser a última coisa que tinha de fazer. Vale muito a pena este exemplar, nem que seja por este conto.

 

Um Bruto Muito Feio (The Sun Dog): Este conto passasse na cidade ficcional criada pelo próprio escritor, em Castle Rock, em Maine.

Kevin festeja o seu 15.º aniversário e recebe a prenda que tanto desejava: Uma Polaroid 660. Kevin começou por estrear a máquina pedindo ao seu pai para tirar uma fotografia em grupo. Acontece que à medida que a imagem foi aparecendo no filme, o que mostrava era algo mais perturbador que uma fotografia em família. Kevin pensou, mal, que seria uma avaria na máquina e foi ao encontro do "não amado" Pop Merrill, uma pessoa que tem uma loja, mas de interesses muito diferentes do que ter lucro com o negócio da loja.

 

Com isto, são ao todo quatro contos mesmo para perturbar, mas moralizar, quem os lê. Contos fantásticos e bem contados, tal como o Rei Stephen já nos habituou e muito bem!

Recomendo!


30
Jun 11

O "Mestre do Terror" a escrever livros românticos?

Resulta... E muito...

 

Em meados 2006, saiu um livro chamado: Lisey's Story, escrito pelo meu escritor preferido Stephen King. Depois de ler algumas notícias, onde vi referido este livro como um livro "romântico", pensei logo: "Pronto, já está a escrever só por escrever... Já sabe que o seu nome vende...". Como me arrependo de ter pensado isto.

Depois li declarações de Nicholas Sparks ("A História de Lisey é [...] protagonizada pelas personagens mais vivas, comoventes e credíveis que eu já vi na literatura actual.") e Nora Roberts ("A História de Lisey é um livro brilhante. Um livro sombrio e desesperado. Com A História de Lisey, King alcançou mais um feito. Partiu-me o coração.") onde suas palavras demonstram toda a emoção que sentem pelo livro. Bem, sendo o escritor que é, terá que ser de leitura obrigatória para mim; depois de ler estas declarações, ficou leitura obrigatória2.

 

Após vinte e cinco anos de casamento, Lisey Debusher perde o marido Scott, um romancista famoso que chegou mesmo a ganhar um prémio Pulitzer. Mas ao que tudo indica, Scott deixa várias pistas para Lisey as seguir, após sua morte. Estas pistas a levarão a uma viagem vertiginosa e assustadora ao passado e a Boo'ya Moon (mundo imaginário onde Scott se refugiou na sua terrível e dura infância).

 

Depois da morte de ScottLisey tem a responsabilidade de combater os demónios do seu falecido marido, num mundo assustador e sombrio, perturbador e terrivelmente ameaçador.

 

A História de Lisey é o livro mais espectacular que já li. E Stephen King prova, mais uma vez, que veio para fazer história na literatura mundialmente. Com este livro, S. King cria o novo género literário, inexistente e único até então, que é "Thriller Romântico". Se pensavam que seria impossível (como eu) desenganem-se (também como eu). Livro mais que recomendado, e tenho pena que cá em Portugal os livros que se vendem são aqueles que mostram sempre alguns argumentos contra a Igreja, que também podem ser bons livros, mas tem de haver espaço no mercado e nas nossas bibliotecas pessoais livros pioneiros e desta natureza.



16
Jun 11

 

 

Dois contos,

Duas noites mal dormidas.

 

Meia-Noite e Dois é a primeira parte de um conjunto de quatro contos, lançado originalmente em 1990 nos EUA com o título: Four Past Midnight. Em Portugal, decidiram dividir este livro de quatro contos, em dois contos de cada vez o que, na minha opinião, foi bem pensado pois a edição lançada pela Bertrand tem quase 500 páginas, contendo apenas os dois primeiros contos.

 

Stephen King faz um texto com uma curiosa explicação do que o levou a lançar estes quatro contos. e, antes de cada conto, este autor explica-nos o que levou a escrever cada conto em particular. É sempre uma matéria interessante saber o que vai na mente de um conceituado escritor para escrever as suas obras. Uma mínima experiência, como olhar para o jardim da sua casa de uma janela que não estava acostumado a fazer, o fez ver de uma perspectiva diferente, o que deu origem a mais uma história que prenderá o leitor a cada página que folheia.

 

Portanto, este exemplar contém dois contos. O primeiro chama-se: Os Langoliers; e o segundo tem o título de: Janela Secreta, Jardim Secreto.

 

Os Langoliers: Neste conto, inexplicávelmente, numa viagem num avião comercial, onde viajava praticamente cheio, onze pessoas acordam passados uns minutos da viagem e deparam-se com o avião deserto, onde todos os pertences das pessoas continuam no avião, incluído brincos, anéis e até, placas cirúrgicas e, num caso, um pacemaker.

Dinah, uma menina cega de 11 anos, mas com um sentido auditivo bastante apurado, foi a primeira a dar falta da presença das outras pessoas. No entanto não está sozinha. Entre os restantes encontra-se um piloto, capaz de comandar o controlo do avião, e uma série de outras pessoas, cada uma com a sua história e problema.

A acção decorre em quase todo o conto no avião, o que dá uma sensação de claustrofobia e pouca liberdade, e quando saem do avião é uma sensação sempre nervosa e de "correria" constante!

 

Janela Secreta, Jardim Secreto: Uma personagem muito misteriosa, um homem com algum carisma e personalidade, e com umas vestes bastante peculiares, chamado Shooter acusa um escrito bastante conceituado Mort Rainey de plágio. Este defende-se argumentando que não era verdade e que tinha escrito o texto antes dele. A espera de provas, Shooter parece andar a fazer das suas e promete não dar descanso ao escritor.

Este é também interessante quando avaliamos a relação de Mort com a sua ex-mulher Amy, que se separou e se juntou com um agente imobiliário. No entanto, sempre que Mort ou Amy "entram em cena", é impossível ao leitor ficar indiferente a esta relação.

Este conto foi adaptado ao cinema em 2004 e conta com a participação de Johnny Depp como MortMaria Bello como Amy e John Turturro como Shooter.

 

Já encomendei a continuação desta colectânea de 4 contos, Meia-Noite e Quatro. Assim que o ler podem contar com a minha participação.


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