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Mar 11

 

 

Se nós vivermos apenas com nós próprios por vezes é difícil,

como seria viver com dezenas de "nós"?


Vou dedicar a minha primeira critica a este livro. A esta vida. A esta mulher.

 

Alice decidiu escrever num livro toda a sua vida. Coisa comum nos dias que corre. O que falta saber agora é o seguinte: "Valerá a pena ler o que esta alma me tem para contar?" Eu pensei que sim, e não me arrependi.

 

As experiências de vida que são de certo modo más, desagradáveis, tristes, são também as mais difíceis de se esquecer. Todos nós temos momentos desses da vida. Uns mais desagradáveis que outros, mas nenhum ser humano é imune à vida. Outro passo dum mau momento da nossa vida é, dependendo dos casos, fechado no nosso cofre junto à nossa memória, onde fica lá para sempre; e que não queremos de modo nenhum partilhar. É normal termos momentos que nos faça pensar: "Eu sou o único que sei da minha experiência; e já muita gente sabe". Não queremos de modo nenhum partilhar e fazemos de tudo para esquecer.

 

E isso é um ponto a favor de Alice Jamieson que, em primeira pessoa, nos vem contar a sua vida, que de agradável tem pouco, mas o gesto e coragem dela de louvar tem muito

 

Alice, desde os seus seis meses de idade, era constantemente violada pelo pai, e por amigos do pai. O próprio pai. Esta conta-nos este tipo de experiências de tal modo pormenorizado que, é normal a meio da leitura os nossos olhos ficarem turvos e lágrimas pingarem estas páginas corajosamente escritas.

 

Tamanhos abusos e traumas levaram a consequências na sua saúde. Na sua adolescência sofreu de anorexia e de perturbação obsessivo-compulsiva. Já em idade adulta, foi-lhe diagnosticada Distúrbio de Personalidade Múltipla, tendo sido detectadas mais de 15 personalidades diferentes, tendo cada uma delas uma história, uma idade e até mesmo um letra e maneiras de escrever diferentes.

 

Apesar de ter tudo para ter uma vida feliz, os pais tinham posses e vivia numa casa luxuosa, mas não tinha algo que o dinheiro podesse comprar: um pai, alguém que se tivesse apercebido das suas dificuldades.

 

No entanto Alice estudou, chegando quase a concluir o doutoramento em Saúde e Estudos Comunitários, mas as constantes Overdoses e auto mutilações provocadas por alguém no corpo de Alice, levou a ter o merecido apoio.

 

Podemos encontrar nas palavras de Alice uma pessoa desesperada, cansada e torturada, que no fundo apenas quer ser Alice.

 

Formalmente, o livro está dividido em vinte capítulos mais prólogo e epílogo, sendo eles bem formados e construidos, apensar de nos capítulos posteriores termos por vezes o sentimento de Deja Vú. Alice é inteligente e sabe como sensibilizar os leitores.

 

Muitas vezes, ao lermos livros ou vermos filmes, chegamos ao fim e pensamos que seria bom que fosse verdade, que acontecesse mesmo.

Neste livro o sentimento é completamente oposto. Este livro representa uma luta, real e dura, que durou décadas e ainda nãe teve o seu merecido fim e descanso.

Seria bom que não tivesse acontecido. Que fosse tudo mentira. Que sejas sempre a Alice.

Publicado Por ChadGrey às 23:47

6 comentários:
Um livro que sem dúvida terei que ler.
É incrível como o ser humano é por vezes tão cruel, devastador, um monstro.. e como há outras em que apenas deseja o mínimo para ser feliz.
Dentro deste tipo de historias, há que aconselhar o '3096 dias' de Natascha Kampusch. A mim cativou-me e chocou-me. Poderoso.


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Amy Rose a 30 de Março de 2011 às 19:19

Sim, tens mesmo que ler este livro.
Está bem dividido por capítulos do género que se lê bem um capitulo por dia.
Dentro de dias comentarei sobre o "3096 dias", também esse chocante e violento.
Comenta Sempre!
Beijo ;)
ChadGrey a 30 de Março de 2011 às 22:43

Eu li ano passado "Hoje eu Alice, creio que seja o mesmo livro com outra capa e título, foi o livro mais incrível que eu já li em toda minha vida!
Sheila a 6 de Novembro de 2011 às 19:13

O livro que deves ter lido foi o "Hoje Eu Sou Alice" e sim, é o mesmo livro só que a versão do Brasil. Eu li a versão de Portugal. Sim, é um excelente livro na primeira pessoa.
ChadGrey a 13 de Novembro de 2011 às 01:18

Infelizmente nem todos temos a oportunidade de termos um pai e uma mae que nos transmitam todo o amor que têm e que nós merecemos, e sim pelo contrário, nos mostram o que de mais cruel à dentro deles.
A minha maneira de pensar tambem vai muito para la do que a de uma adolescente normal. Há quem diga que por vezes quem ouvem falar é uma adulta e nao uma jovem de 16 anos, como eu. Nao posso dizer que a minha história seja igual à de Alice, mas posso dizer que quando era mais nova também era brutalmente maltratada. Contudo hoje tenho a perfeita consciência de que aquelas pessoas, que eram meu pais, e diziam que eu nunca iria ter onde cair morta, sao bem piores que eu. Luto todos os dias para obter bons resultados e tornar-me uma grande Assistente Social e calar a boca a muita gente que me fez sofrer provando que sou muito melhor que eles.
Por isso admiro Alice, pois mostra-nos que nunca devemos dizer que temos uma vida má, existe sempre gente que esteja pior que nós. Esta é uma história que podemos dizer que é uma grande lição de vida.
Aconselho qualquer pessoa a ler, pois de certeza que nao vai querer deixar de ler o livro por meros instantes.
micaela a 22 de Dezembro de 2012 às 22:06

Olá Micaela!
Obrigado por perderes um bocadinho do teu tempo a comentares neste espaço dedicado.

Lamento, no entanto, por saber que pelos teus motivos não te sentes amada pelos teus pais, aqueles que te deviam ser os mais próximos!

Espero com isto que o teu sonho de seres uma Assistente Social (confesso curioso, nunca antes tinha ouvido alguém com 16 anos dizer que ambiciona ter essa profissão) se venha a tornar realidade e que cumpras os teus objectivos!

Volta sempre e, como leste este livro deves ler outros também, se souberes de algum livro que gostes e não esteja neste Blog fica a vontade para o recomendares.

Cumprimentos
ChadGrey a 26 de Dezembro de 2012 às 01:44

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