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Fev 12

 

"Um dos maiores erros que as pessoas cometem é o de pensarem que as boas maneiras são apenas a expressão de ideias felizes" - Miss Manners

 

American Psycho (título original) é um livro escrito por Bert Easton Ellis em 1991. Em Março de 1999 os portugueses puderam ler a versão traduzida pelo Ribeiro Fonseca

Bert Easton Ellis é um escritor, agora com 47 anos, mas foi cedo (este livro foi escrito quando este tinha 26/27 anos) que demonstrou ser um escritor atrevido e moralista pronto para conquistar e derrubar todos os conceitos escondidos da sociedade, alta e baixa, pondo os pontos nos is. Intitula-se de moralista, contudo os críticos apontam-no como um niilista, ou seja, aquele que pegando num argumento expande ao máximo o seu tema, fazendo o possível para não deixar nada ao acaso (grossos modos).

 

Psicopata Americano é um livro muito interessante, mas pouco fluido. A realidade é a dos anos 80, logo quem não viveu neste tempo, como eu, por vezes sentir-se-á um pouco como um convidado pela primeira vez e ainda por cima a casa de uma pessoa pouco conhecida.

A personagem principal do livro é o jovem Patrick Bateman, de 26 anos, um jovem milionário que trabalha numa empresa de renome que o fará ficar ainda e sempre cada vez mais rico. A sua comunidade é mesmo essa: amigos igualmente ricos, onde apenas vão a restaurantes e bares bastante selectivos e suas conversas entre amigos são baseadas em comparações de posses, música, mulheres, álcool, drogas e fantasias; onde para uns não passam mesmo de fantasias, mas para outros são também realidades.

 

Bateman encontra no sexo com prostitutas, na tortura com as mesmas ou sem abrigos, no maltratar de animais a paz que procura para se aliviar e sentir algo para cima do prazer. Não parece fugir muito daquela personagem que hoje tanto conhecemos: Dexter. Mas com as diferenças temporais e objectivas, claro. Bateman vê-se envolvido numa relação carnal da parte dele, porque da amante Evelyn é amor; o seu amigo Luis assume que está apaixonado pela nossa personagem; mantém várias relações extra conjugais com amigas e prostitutas; e ainda tem que arranjar tempo para se "aliviar" da vontade que o atormenta. Tudo isto será assistido nas 415 páginas que a edição Teorema outras estórias nos vende a um preço muito simpático: P.V.P. €4,90.

 

No entanto, como eu já o disse, não é o livro mais fluido e temporal que já pude ler. Possivelmente seria bem melhor apreciado se eu estivesse cá a assistir àquilo que os anos 80 nos trouxeram, mas não foi esse o caso. Mas fora esses pormenores, este livro contado na primeira pessoa sobre a vista do Bateman, promete transmitir uma série de sentimentos que prometem provocar o leitor, pois muitas das fantasias das nossas personagens facilmente serão também a de muitas pessoas.

Sente-se em muitos capítulos várias criticas à sociedade no geral, mas mais há camada com mais posses, que nesse aspecto ainda nos dias de hoje se aplicam, tal como comportamentes de superioridade ou desrespeito para os mais desfavorecidos; daí este escritor se conhecer como um moralista, sensibilizando as pessoas para a realidade vivida e não para a fantasia.

 

Este livro deu origem ao filme American Psycho, em 1999, realizado pela Mary Harron e no papel de Bateman encontramos o Christian Bale. Apesar da pouca experiência no cinema, Mary Harron conseguiu dar vida a este confuso livro, mas fielmente representado.

 

Prós:

  1. Barato
  2. Personagens com carisma e estórias muito interessantes
  3. Evolução do Bateman
  4. Várias citações muito interessantes
Contras: 
  1. Livro temporal - anos 80
  2. Algumas dúvidas quanto a algumas traduções
  3. Alguns capítulos inúteis completamente inúteis

 

 

 

Sinopse:

 

Patrick Bateman é elegante, bem educado, inteligente. Trabalha de dia na Wall Street, ganhando uma fortuna para juntar àquela com que nasceu. As suas noites passa-as ele de formas que ninguém se atreveria a imaginar. Tem 26 anos e está a viver o seu próprio Sonho Americano. Psicopata Americano passa-se num mundo e numa época que nos são familiares.

A elite rica é cada vez mais rica; os pobres e marginais são atirados para as ruas às dezenas de milhar, e tudo, até o mais horrível, parece possível. Mesmo assim Bateman, que exprime a sua verdadeira natureza através da tortura e do assassinato, prefigura um horror apocalípltico, impossível de suportar para qualquer sociedade.

Psicopata Americano é um romance tão profundamente moral como necessariamente repugnante.

 


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