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Ago 11

 

Quando um caso de violência se transforma num assunto de Estado

 

Rania al-Baz tinha tudo para ter uma vida serena e feliz, excepto que nasceu na Arábia-Saudita. Uma mulher bela e inteligente, apresentadora de televisão "oferece-nos" uma biografia contada na primeira pessoa e onde consta um relato de uma mulher/jovem que sofreu bastante nas mãos do seu marido Rashid (No inicio do livro, Rania diz ter adulterado alguns nomes para preservar a privacidade e segurança dos intervenientes, por isso não sei se Rashid é o verdadeiro nome do marido) pois era ciumento e não suportava os ciúmes que tinha por ter uma esposa nacionalmente reconhecida.

 

Sempre que leio este tipo de relatos, nunca em tempo algum leio com fim a "sentir pena" da pessoa que o escreveu mas sim para tentar observar vários aspectos como:

  • O comportamento humano em certas culturas e vivências;
  • Conhecer um pouco a visão do país e cultura da qual a autora escreve;
  • Compreender que a realidade muitas vezes ultrapassa o suspense da ficção e imaginação;
  • Face aos problemas/obstáculos, que solução foi possível no momento e que outras, se houver, existiam;
  • As escolhas reais de um ser humano perante uma situação real.

Nesta autobiografia, Rania conta-nos o vários episódios negros da sua vida, começando pelo último, ao qual o seu marido Rashid numa explosão de fúria espanca-a, deixando-a inconsciente e à beira da morte, mas num momento de sanidade, Rashid em vez de a abandonar no apartamento de ambos, onde aconteceu a agressão, deixo-a no chão à porta do Hospital. É com este relato que nos aborda o primeiro capitulo do livro, entre os dez existentes.

 

Quem ler este livro, muito vai saber sobre a vida de uma mulher naquele país; as reacções da mesma ao ir para um país mais liberar europeu, onde os casais se beijam e apalpam em público que para muitos é normal, mas parece ainda chocar muita gente, neste mesmo ano, neste mesmo século, neste mesmo planeta.

Publicado Por ChadGrey às 19:14

comentário:
Já li este livro há alguns anos, mas tenho a recordação de me impressionar bastante.
Tens razão ao dizer que não se deve ler este tipo de livros para sentirmos pena da pessoa, o que afinal é muito característico do ser humano. Gostamos de sentir pena, e muitas vezes com isso vem associado o sentimento de "eu sou melhor".
Gosto de ler estas histórias para aprender como é a vida noutras regiões e noutras culturas do mundo, e poder compará-las com aquilo que já conhecia. Mas também para conhecer através da escrita pessoas extraordinárias, que lutam para viver e sobreviver na pior das realidades.. Rania é sem dúvida uma delas.
E o nosso mundo é mesmo tão diferente.


Amy Rose a 15 de Outubro de 2011 às 20:06

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